Às almas dos defuntos pode ser dado «alívio e refrigério», mediante a Eucaristia, a oração e a esmola. O facto de que o amor possa chegar até ao além, que seja possível um mútuo dar e receber, permanecendo ligados uns aos outros por vínculos de afecto, para além das fronteiras da morte, constituiu uma convicção fundamental do cristianismo, através de todos os séculos, e ainda hoje permanece uma experiência reconfortante.
Quem não sentiria a necessidade de fazer chegar aos seus entes queridos, que já partiram para o além, um sinal de bondade, de gratidão ou mesmo de pedido de perdão? As nossas vidas estão em profunda comunhão entre si; através de numerosas interacções. Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Deste modo, a minha intercessão pelo outro não é de forma alguma uma coisa que lhe é estranha, uma coisa exterior, nem mesmo após a morte. Na trama do ser, o meu agradecimento a ele, a minha oração por ele pode significar uma pequena etapa da sua purificação. Nunca é tarde demais para tocar o coração do outro, nem é jamais inútil. Assim, a nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim!
Bento XVI, Spe Salvi, 48

Sem comentários:
Enviar um comentário