sexta-feira, 19 de agosto de 2011

JMJ Madrid: Festa portuguesa saudou o Papa


Mais de 10 mil jovens e 17 bispos portugueses reuniram-se hoje no Madrid Arena, da capital espanhola, num evento organizado pela Igreja Católica no quadro da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011, saudando a chegada do Papa.

Iniciado ao som da ‘Banda Jota’, o encontro foi marcado pelos gritos de “Portugal” e de “Viva o Papa”, enquanto se espera pela chegada de Bento XVI.

A primeira referência ao Papa foi sublinhada por uma salva de palmas e por um já espanholado “Benedicto”, que se repetiu quando as imagens da chegada a Madrid foram transmitidas pelos ecrãs gigantes instalados no local.
O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), referiu que os “jovens portugueses gostariam um dia de organizar” uma JMJ, frase sublinhada pelos presentes com uma longa salva de palmas.

“Em Jesus Cristo tudo encontra sentido”, afirmou, na celebração inicial, D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu e um dos responsáveis da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pelo acompanhamento da pastoral juvenil.
Álvaro José de Mendonça e Moura, embaixador de Portugal em Madrid, colocou a bandeira nacional junto da espanhola, no palco principal, gesto que levou a multidão a entoar o hino português.
“É um prazer poder receber-vos a todos em Madrid, testemunhar a vossa fé e o vosso entuasiasmo”, disse.
O diplomata afirmou que “nunca em Madrid se tinham visto tantas e tantas bandeiras portuguesas”.
Este responsável deixou votos de que os jovens levem de Madrid uma “vontade acrescida” para ultrapassar “os momentos difíceis que se vivem em Portugal”.

Presente no encontro esteve o diretor da Secção de Jovens da Santa Sé (Conselho Pontifício para os Leigos), padre Eric Jacquinet.
“Estamos muito contentes por estar aqui convosco”, confessou, antes de sublinhar que a JMJ “é um tempo de graça e conversão, que pode transformar a vossa vida”.
Os jovens presentes foram chamados, diocese a diocese, tendo concluído este momento aos gritos de “Portugal, Portugal”.

Sob o tema “Edificados sobre o Alicerce dos Apóstolos”, os peregrinos nacionais puderam trocar experiências e vivências de JMJ, para além de um momento de catequese que será proferido pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.
Depois da eucaristia, às 12h30, o encontro terminará com um almoço no espaço envolvente ao Madrid Arena.


JMJ 2011: Bento XVI recebido em apoteose



Bento XVI alertou hoje os jovens católicos para o perigo de propostas “lisonjeiras” que apenas deixam “o vazio e a frustração”, no seu primeiro banho de multidão em Madrid.
Na festa de acolhimento e boas-vindas aos jovens da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011, o Papa considerou “fútil” uma “existência sem horizontes, uma liberdade sem Deus”.


“Há muitos que, julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmo. Desejariam decidir, por si sós, o que é verdade ou não, o que é bom ou mau, justo ou injusto; decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado nos altares de outras preferências; em cada momento dar um passo à sorte, sem rumo fixo, deixando-se levar pelo impulso de cada instante. Estas tentações estão sempre à espreita”, observou.
Bento XVI criticou as “palavras que servem apenas para entreter, e passam como o vento”.
“Outras instruem, sob alguns aspetos, a mente; as palavras de Jesus, ao invés, têm de chegar ao coração, radicar-se nele e modelar a vida inteira. Sem isso, ficam estéreis e tornam-se efémeras; não nos aproximam dele. E, deste modo, Cristo continua distante, como uma voz entre muitas outras que nos rodeiam e às quais estamos habituados”, precisou.
Aos presentes, o Papa desafiou a “projetar a luz de Cristo” sobre os jovens da sua vida e “sobre toda a humanidade, mostrando uma alternativa válida a tantos que viram a sua vida desmoronar-se, porque os alicerces da sua existência eram inconsistentes”.
Bento XVI aludiu também “a tantos que se contentam em seguir as correntes da moda, se refugiam no interesse imediato, esquecendo a justiça verdadeira, ou se refugiam em opiniões pessoais em vez de procurar a verdade sem adjetivos”.
Na praça de Cibeles, o Papa foi saudado por um jovem de cada continente, na sua própria língua, que ofereceram um presente típico: Polónia, Austrália, Coreia do Sul, Honduras e Guiné-Conacri foram os países escolhidos.
“Agradeço as carinhosas palavras que me dirigiram os jovens representantes dos cinco continentes. Com afeto, saúdo a todos vós que estais aqui congregados - jovens da Oceânia, África, América, Ásia e Europa – e também a quantos não puderam vir”, disse Bento XVI, que usou o chapéu que lhe foi oferecido pelo jovem hondurenho.
Seguiu-se um pequeno momento de oração, no qual foram lembrados “todos os perseguidos por causa do evangelho”, para além dos “pobres e marginalizados”, os que “não têm casa nem trabalho” ou os que “passam fome e sede”.
“Queridos amigos, sede prudentes e sábios, edificai as vossas vidas sobre o alicerce firme que é Cristo. Esta sabedoria e prudência guiará os vossos passos, nada vos fará tremer e, em vosso coração, reinará a paz”, pediu o Papa.
Bento XVI regressa agora para a nunciatura, ao som do 'Messias' de Handel, entoado pelo coro das jornadas.

Fonte - Ecclesia

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